sexta-feira, 25 de maio de 2012

pintura

Não sou mais a mesma. Nem eles. Melhor deixar tudo como está... se a saudade existe é porque a projeção se mostrou positiva, as lembranças de bons momentos sobrepujaram as dos maus, pra que mudar isso? Nossas lembranças estão presentes em quem somos, conosco em todos os momentos e não há mais "fácil acesso" do que elas nas horas em que precisamos. Não há porque mudar o que já está tão próximo da perfeição. Fiquem aqui, como parte da minha história, como parte de quem me tornei, como doces lembranças de duros aprendizados, apenas fiquem... sem aquelas pequenas coisas que incomodam tanto no dia-a-dia, sem mau humor, sem problemas, sem bafo.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

túnel do tempo

Mergulhei no meu hoje. Apenas umas horas. Uma tarde de coca-cola, cigarros e música na frente do pc. Nada produtivo apenas zapeando "vidas". Lendo trechos de pessoas fora do contexto, vendo fotos de desconhecidos e quase sorrindo com eles. Senti falta do meu vazio, ele me completa de ausência às vezes. Não tenho porque fugir disso, não o tempo todo. Como o turbilhão de pensamentos e sentimentos que só o silêncio pode trazer, só meu casulo me completa às vezes. Só ele me traz a inquietude que tanto preciso para me sentir eu. Mesmo que esse "eu" não passe de uma palavra solta e tosca presa a outras palavras soltas e toscas...
Vejo a vida passando da janela. Não tenho o desejo de estar lá tanto quanto não tenho o desejo de estar aqui.
Algo queima dentro de mim, às vezes acho que me implorando pra sair, em outras acho que pra ficar.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

normalidades

E os dias vão seguindo assim, numa paz quase assustadora. Nasci de uma explosão e cresci em meio a turbilhões e terremotos. Os momentos de calmaria sempre foram longos o bastante para um suspiro. Agora não. Talvez o que tenha mudado não seja o contexto mas a escrita. Hoje é bem mais difícil algo me tirar do eixo. Minha torre está mais alta, meu porto seguro com mais soldados. Ainda assim algo falta. Talvez seja essa solidez que me perturba, o medo do que virá na próxima página, o desejo e o terror de ter uma vida "normal".

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Saldo

Me disseram que eu parecia mais serena. E estou. Não que meus fantasmas tenham sido derrotados. Os maiores deles continuam aqui, provavelmente sempre estarão. Não que os desafios que mais me perturbaram no passado tenham sido vencidos. Alguns eu venci, outros perdi, outros continuo empacada, mas dei o primeiro passo, aceitei a existência deles e o quanto me perturbam. Ali foi estabelecido um limite : tu só permanece em meus pensamentos quando eu puder fazer algo a respeito não mais apenas pra tumultuar. Aprendi a levar bem mais coisas na esportiva, aprendi a não levantar minha voz, não é gritando que se é ouvido mas sim sendo coerente. Aprendi a entender melhor as fragilidades dos outros, só assim consigo perdoar as minhas. Aprendi que não reagir quando se é afrontado muitas vezes é a maior prova de força que se pode dar. Entendi o quanto o tempo é sábio, que muitas vezes não importa o quanto se debata um assunto, o quanto se peça perdão... só ele poderá cicatrizar algumas feridas. Aceitei que embora eu não deva mudar pra agradar ninguém todos têm algo a ensinar e que quando se ouve se aprende muito mais do que quando se fala. Não fujo mais de mim, seja com distrações ou criando novos problemas pra esquecer dos velhos. Eu continuo sendo eu, não sou dinheiro pra agradar todo mundo e nem vou fingir ser quem não sou pra ser aceita. Só aprendi que não preciso levar tudo a ponta de faca pra ser respeitada, não preciso humilhar pra mostrar a alguém que está errado e que não é sofrendo que irei reparar meus erros. Já sofri por eles, aprendi e continuo aprendendo com eles e só assim alguma coisa, algum dia, poderá ser "reparada".

terça-feira, 17 de abril de 2012

descompasso.

A vida tem tentado arduamente me ensinar uma lição, enquanto eu pareço estar me esforçando muito pra não aprender. As oportunidades sempre surgem, nunca pra já. Essa coisa de só me motivar com o agora. De me empolgar com algo e logo vir a frustração porque a menininha mimada queria hoje, no máximo amanhã. Ano que vem é tempo demais. Sempre penso assim... e os anos passam e nada foi feito. Me sinto uma idiota ao perceber isso, mais ainda ao escrever. Quem sabe assim, quem sabe diante da humilhação de constatar o óbvio algo mude em minhas atitudes. Nessas atitudes comodistas e estúpidas. De alguma forma é preciso começar, ou recomeçar. Continuo querendo pra agora. Só não posso descartar algo legal porque não aconteceu no tempo em que eu desejei.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Perdi vinte em vinte e nove amizades
Por conta de uma pedra em minhas mãos
Me embriaguei morrendo vinte e nove vezes
Estou aprendendo a viver sem você
(Já que você não me quer mais.)
Passei vinte e nove meses num navio
E vinte e nove dias na prisão
E aos vinte e nove com o retorno de Saturno
Decidi começar a viver.
Quando você deixou de me amar
Aprendi a perdoar
E a pedir perdão.
E vinte e nove anjos me saudaram
E tive vinte e nove amigos outra vez. 

domingo, 25 de março de 2012

A pedra e a água.

Novo tempo de mudanças... mais um. É hora de deixar quem tanto bateu na porta entrar. Hora de aprender que só perdoar não basta... é preciso dar outras chances. Minha família. Não a que escolho... pois quanto a amigos, cometi muitos erros. Alguns se afastaram por um grande erro meu, erro pelo qual ainda pago. Outros se afastaram porque não passavam de carrapatos. Sugaram meu sangue e se foram. Antes tarde do que nunca.
Meus avós, minha mãe... esses merecem todos os meus perdões, pedidos e concedidos.
Alguns amigos também, poucos. Mas os que me mostraram que posso pedir ajuda.
Não tenho porque me fechar, sempre é tempo de recomeçar.