Desintoxicando

É... era uma montanha. E pude ver que onde eu acreditava haver vários caminhos, na terra na qual eu depositava alguns sonhos e planos havia um precipício. Não há mais porque envolver tempo e energia tentando remover, pedra, pedregulho ou montanha diante da certeza de encontrar o nada depois dela.
O jeito agora é aceitar que às vezes é preciso dar alguns passos pra trás pra poder andar pra frente de novo.
E lá vou eu pavimentando alguns caminhos e abandonando outros.
Sempre dói virar uma página, abrir mão de planos, muitas vezes a vontade de simplesmente arrancar algumas páginas da minha história é mais forte que tudo, mas não se apagam lembranças, aprendizados, mágoas. E eu nem queria que pudesse ser assim. Somos um algomerado, pessimamente organizado, de nossas experiências. Um saco sem fundo de sonhos e frustrações.
As borboletas na garganta vão e vem e é assim que deve ser. Um passo de cada vez, um dia de cada vez, como qualquer dependente sabe que deve ser, aos poucos me desintoxicando daquelas planos que foram frustrados.

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