Tic Tac

Fico escutando me revirando na cama acompanhando o barulho da chuva.
Me sinto o capitão gancho perseguido pelo seu medo, o meu se personifica nas imagens aleatórias da TV, preferia que fosse um crocodilo, ao menos teria mais movimento.
O grande idiotizador das massas representando meus grilhões, conveniente não?
É tempo de decisões.
Estou ansiosa, nervosa, afoita. E bem sei o quanto está sendo difícil controlar isso e manter os pés no chão. Preciso deles assim, quase enterrados agora. Estudos, cálculos, planejamento, e só eu sei o quanto detesto tanto planejamento.
Não tenho medo de desafio, nunca tive e não é depois de velha que vou começar a ter, estou com medo de escolher o desafio errado.
É tempo de mudança. E eu quero isso. O frio na barriga tem seu lado bom, mas falta algo, não alguém me dizendo o que fazer, nunca tive e nem desejei isso. Me arrependo às vezes de algumas das minhas escolhas, mas me orgulho em saber que elas foram minhas, só minhas. Sinto falta é que alguém me tire desse ciclo de tensão por algumas horas, apenas isso, sinto falta de um refúgio e ele nem precisa ser seguro, cansei de ser e de ter "portos seguros" agora quero momentos de conforto, de sossego, mais nada. Quem sabe isso tudo esteja acontecendo assim pra que eu aprenda a me propocionar esses momentos e não buscá-los em outra pessoa. Vai saber...
Tic Tac
E não importa o volume da música ou os movimentos do corpo. Não importa o cansaço.
Ele me rouba o sono e mantém meus pensamentos presos. Contanto que não mantenha assim também os movimentos, tudo bem.

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