Lá vamos nós...

Minha cabeça está funcionando em espiral. O humor oscila, a mente flutua, fico viajando rumo a lugar nenhum e é isso que me incomoda. As tais motivações, objetivos, vontades, seja lá o que for que preencha espaços ocos clamando por nutrientes, simplesmente inexistem.
Uma parte de tudo está tão boa que acabo mergulhando nela pra ver se paro de ver o resto. Não funciona. A água é cristalina demais aqui e já me deixei apenas seguir o fluxo da tua correnteza então não há luta, não há espuma, não há queda, nada que me perturbe a ponto de me fazer esquecer do quanto o ar tem estado rarefeito. Talvez por isso meus relacionamentos no geral tenham sido sempre tão turbulentos, eles distraiam dos outros problemas sendo assim, sugavam as energias a tal ponto que me deixavam inerte e ignorante diante de todo resto.
Agora não. O sótão levanta cada vez mais poeira, não vejo um palmo à minha frente, mas até ai tudo bem, os instintos ainda gritam o bastante pra guiar pra algum lugar, mesmo que desconhecido.
Mas e o outro ponto? Onde nada grita, nada clama, nada se deseja, onde não há pontos de partida para que se possa construir uma rota... nem ouso falar em pontos de chegada. Não consigo mais conversar a respeito. As palavras sempre são óbvias demais e só geram irritação e frustração. Me sinto um cachorro consciente ao correr atrás do próprio rabo. O grande problema não está na inércia, na vida vazia, na superficialidade mas sim na consciência disso. Santa ignorância que me abandonou com um belo pontapé na bunda. Deixei tanta coisa passar na minha vida que não sei mais como compensar o tempo que foi, a paciência que eu não tenho e a determinação que nunca tive.
Conheço vários discursos motivacionais que deveriam ser pensados agora, eles só me irritam. Quanta bobagem se entregar assim, eu sei que preciso de movimento só cansei do infundado.

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