Insensatas alegrias
Meu peito é solo infértil. A maior parte do tempo eu gosto disso. Apesar de me sentir mais rasa do que costumava acreditar é uma proteção inconsciente e fácil. O muro que construí não exigiu suor nem dedicação, ele apenas foi se formando diante dos meus olhos enquanto eu ficava sentada na varanda olhando. É seguro e solitário do lado de cá. Olho pro céu e nem sinto mais vontade de voar. É hora de ser coadjuvante em outras vidas, é meu tempo de buscar "carreira solo". Mesmo que esse solo me sufoque em momentos como esse. Hora de apelar pra família... ver um filme. Fugir um pouco de mim. Buscar mais alegrias superficiais, me contentar com o riso do palhaço, enquanto a lágrima de verdade não chega vou vivendo de risos de mentira.