E eles já não brigam mais. Ficam sentados na varanda como surdos que assistem a banda passar. Ele se move com dificuldade enquanto minha paciência se esvai. Eu desvio o olhar. Machuca ver nosso tempo mal aproveitado indo embora, mais ainda por saber que não será mais bem aproveitado graças a essa constatação. Essa hipocrisia que a muitos consola não me toca, por mais que eu a busque. Tudo que sinto é uma dor contida, é o mais próximo de qualquer sentimento familiar que consigo. No pátio as árvores carregadas de frutas tentam me dizer que tudo se renova. Mas só consigo mirar o cimento. Enterrei muitos segredos ali. Só consigo ver a proteção descascada, quebrada, trechos de vida brotando, suja... rasteira... tão mesquinha quanto os sentimentos que esse lugar me plantam. Está na hora de crescer Peter... já passou da hora. "eu vou pagar, a conta do analista, pra nunca mais ter que saber quem eu sou"