Postagens

Mostrando postagens de fevereiro, 2011

80%

E as paredes voltaram a se mover. Aqui, não só as do quarto, mas de qualquer cômodo onde eu me deixe ficar por algum tempo sem conseguir manter a concentração. Os movimentos são peristálticos agora, me empurram, para algum canto inconsciente de qualquer lugar, de lugar nenhum. Definitivamente eu preciso de uma saída de emergência, tanto quanto de uma válvula de escape agora. Sei que decidi me testar. Ir de encontro a muita coisa que me apavora. Mas saber disso não tira seu efeito. E por mais preparada que eu estivesse, não encontrei nenhum anestésico forte o bastante para burlar meus sentidos e, especialmente, meus medos.

Lua

Ontem foi noite de lua cheia. Ela estava linda... como sempre. O difícil pra mim é olhar. Sempre que a olho nessa fase vejo claramente o rosto de um velho, com um bigode branco farto e olhos profundos e tristes. Não importa pra onde eu me mexa, seu olhar me acompanha, com o pesar de quem olha nos olhos de alguém que o decepcionou demais. É como se me mostrasse em instantes tudo que eu devia e podia ter feito e não fiz. E tudo que eu não podia ter feito e fiz. Como se meus atos e negligências ferissem alguém profundamente, daquelas feridas que não cicatrizam e transparecem nos olhos. Quando a olho, vejo minha consciência frustrada. Me mostrando o quanto machuca pensar. É das poucas visões que copos de cerveja não são capazes de distorcer.

Construções

Essa casa foi construída quando eu tinha 7 anos. Sei disso porque há um 1992 estampado numa das paredes. Sei que nos mudamos primeiro pra casa pequena que tem nos fundos, e que a construção não demorou muito tempo. Mas não lembro dela ocorrendo. Não lembro de brincar entre os entulhos nem de subir em montes de areia. Geralmente quando vou fumar fico andando pelo pátio. Gosto de sentar em um degrau perto de onde ficavam os balanços e ficar olhando pro que um dia foi minha quadra de volei. Olho aquelas telas de proteção imensas em cima dos muros e não consigo entender como mesmo com elas vivíamos perdendo bolas nos pátios vizinhos. Mesmo assim, sei que aproveitei pouco. O que mais lembro da minha infância aqui era de colocar os patins, pegar uns vestidos antigos e esvoaçantes que ficavam guardados na lavanderia e andar, sentindo o vento brincar com os panos. Fingia falar línguas desconhecidas e dar ordens. Eu sempre sabia o que fazer e todos sempre buscavam a minha opinião. Eu era do ti...

E

E ele continua protelando. Jurou que da semana que vem não passa. E eu... tento acreditar. Enquanto isso... vou seguindo, um dia após o outro, uma aula chata após a outra e muitas... muitas pseudo conversas sem conteúdo algum. Família, por que me sinto tão distante? Comerciais de margarina sempre me deram vontade de rir... de tédio. Me sinto segura aqui, mas é uma segurança que incomoda. Eu reclamo quando sinto que ninguém me protege. Mas eu não sei ser protegida.

Aqui

Esse lugar me suga. Tenho dificuldade pra dormir e mais ainda pra sair da cama no dia seguinte. Não sei explicar direito é como se o ar fosse mais pesado aqui. Me sinto cansada. Aos menos a troca de e-mails que começou em baixaria ontem terminou de uma forma mais polida, quase coerente. A sensação que tanto me incomodava ontem voltou ao status inicial. Agora é tentar pensar o mínimo possível e encarar. Meu vô não está bem e me machuca vê-lo assim. Pior ainda ter que agir com naturalidade. Mas é isso. Eu já sabia que seria assim.

Silêncio

Imagem
Senti vontade de escrever. Mas sem saber o que dizer. Os pensamentos fogem, efêmeros demais, nada possível de traduzir em palavras. Nada que seja importante o bastante para merecer ser posto aqui. Estou me deixando levar simplesmente porque não terei essa opção nos próximos dias. E sei o quanto esses dias serão longos. Lembrei de twitts: se não tens nada a dizer, cale! Então... está lançada a campanha. Se não tens nada de interessante a dizer, simplesmente cale. Aproveite o seu tempo pra sentir/viver o que quiser e não gaste o tempo de outros em vão.

Vontades

Ando sem vontade de escrever. Desanimada com várias coisas. Fico tentando me convencer o tempo inteiro de que tomei a decisão certa, mas quanto mais se aproxima o momento de ir mais me angustio. E fico tentando não pensar. Sei que preciso encarar, está decidido e ponto. E o ocorrido naquele sábado ainda me perturba. As obviedades trazidas com aquela simples frase, as atitudes posteriores... como eu queria que não fosse assim. Como eu queria que realmente tudo estivesse voltando ao seu devido lugar, mas pelo visto não. Não sei quanto ainda terei que pagar pelos meus erros, pra ser bem sincera, não sei o quanto ainda estou disposta a pagar. Fora isso foram dias bons. Aproveitei mais um pouco os prazeres burgueses que me foram oferecidos. Um poker no chão, muitas risadas e uma conversa séria, sobre a qual ainda não consegui tirar conclusões. Acho que o tempo fará isso por si só, então me abstenho.