regressiva pros 30 parte I
Hoje eu estava vendo friends, embaixo das cobertas, com um gato preso na minha garganta e um cachorrinho fofo doido por atenção quebrando a casa toda por não tê-la. Vendo pela quinta vez o mesmo episódio, pensei exatamente a mesma coisa que pensei nas outras 4 vezes, porém não havia externado ainda: não fiz nem 1/5 das coisas que eu tinha certeza que já teria feito aos 30 e fiz no mínimo umas 500 coisas que não havia previsto. Essas culpas etárias são tão toscas e sem propósito quanto as discussões políticas em religiosas em mesas de bar ou timelines.
Post curtinho né? Sei lá... acho que qualquer coisa além disso é chover no molhado. Os planos que fazemos ao terminar o ensino médio, ou nas primeiras semanas da faculdade são uma mescla de imposições sociais, sonhos reais e ausência de conhecimento sobre a realidade, sobre a vida em si. Esses sonhos não são inúteis, apenas não precisam ser alcançados para cumprir seu objetivo primordial: autoconhecimento e a certeza de que somos mutáveis. Se eu queria ter me tornado juíza aos 24 anos como era o plano aos 16? Claro que sim! Se eu pagaria o preço por isso? Claro que não! Não abriria mão de todas as experiências que tive ao abrir mão desse plano. Nem das péssimas. Foram elas que me fizeram quem sou.... porque acertar é tão fácil quanto comemorar a vitória do seu melhor amigo, ou melhor... tão fácil quanto ter amigos em uma balada rindo e bancando trago. Tu aprende é quando faz merda, é quanto te viram a cara, é quando tu descobre quais são os poucos que ficam do teu lado, ou que ousam voltar depois de uma briga. Tu se descobre não é no trago, mas ao acordar na sarjeta. Viveu quem teve os joelhos ralados, fotos ridículas, rugas de risos, rios de lágrimas. Não me envergonho das minhas cicatrizes, me envergonho dos momentos que me tranquei em uma redoma de qualquer coisa, por qualquer motivo.

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